Sinto dores… Mas elas estão em mim há tanto tempo que não as vejo mais como inimigas. São companheiras. Engraçado dizer dessa forma mas elas, as dores, são as únicas que me conhecem de verdade, que me vêem chorar, que ouvem meus lamentos e suspiros e que entendem minha agonia. E não preciso dizer nada. Enquanto pessoas entram e saem, minhas dores ficam. Permancem e fazem morada.
Por vezes já me perguntaram o por quê de não reclamar, ou contar a respeito, ou não chorar. Mas o que eu ganharia com isso? Acaso se eu disser que as possuo, elas serão amenizadas em meu corpo? E ainda tem outra questão: vão me perguntar que tipo de dor é ou de onde elas provêem e quando começaram etc. Mas ninguém sabe o quanto também dói ter que explicar. Não por ser doloroso falar disso no sentido de ser inconveniente, mas por ser assunto delicado, que mexe com partes do corpo não tão comuns de se comentar. E aí caio em outro patamar, o das dores morais. Ferem meu orgulho, minha vaidade e meu egoísmo. E essa dor não sei compartilhar, ainda não aprendi. E todos a quem tentei explicar algo, não consegui sair da dor física. Talvez por falta de interesse do ouvinte ou por incapacidade dessa interlocutora.
Por isso aprendi a conviver com elas, as dores, amigavelmente. Não me questionam, não vão embora. É certo que elas não me preenchem como um amigo o faria, mas elas também não me esvaziam na crença no ser humano. E no fim o que me restou? Sim, as dores, minhas fiéis companheiras.
— … aprendi a tacar. Acertei a continuação?
— Não.
— Qual era então?
— E de tanto me atirarem pedras, eu aprendi a desviar.
— Achei que fosse tacar. Por que não seria?
— Porque maior vitória não é daquele que se vinga, mas sim daquele que mostra que não pode mais ser atingido.

Tenho que aprender a aceitar quando uma coisa vira passado. Aceitar quando uma pessoa vira passado. Se alguém escolhe ir, mesmo que eu insista incansavelmente que fique, é óbvio que é porque não deveria nem ao menos ter chegado. Mas quando tento explicar pro coração ele sempre contesta, sempre fica do lado de quem não deve. Fica gritando que a saudade vai passar, que nada está perdido, que tal pessoa vai voltar sorrindo e se desculpando por ter partido. Mas não, não tem que ser assim. Vivo jogando cosias fora, pra não “acumular” coisas que não prestam, mas eu sei que deveria fazer o mesmo comigo, com tudo que eu carrego. Me desfazer de tudo e todos que me faz mal, que colocam pra baixo e fazem com que eu me sinta mal. Coisas e pessoas que ocupam um espaço imenso na minha vida, sem ter nenhuma função que vala a pena chamar de “decente”. E cá entre nós, esse espaço poderia muito bem estar sendo ocupado por pessoas de verdade. Que não só façam felizes, mas seja a própria felicidade. Mas eu sei que dizer é fácil, que querer é fácil. Que na verdade quem manda mesmo na gente é o tal do coração e querendo ou não, na hora de decidir, a emoção fala mais alto que a razão. Que na verdade, ela quase grita.
te amo pra sempre idiota s2



